sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dry Martini

  Quando comecei na carreira de barman mal sabia fazer caipirinhas, mas era desse jeito que o maitre queria os funcionários novos, sem vícios, sem manias, aprenderíamos do jeito dele, e alguns anos depois acho que estou indo muito bem.
  Na noite em que me pediram um Dry Martini eu gelei, sabia que ia vermouth seco mas não fazia a menor idéia que o Martini Dry era vermouth, avisei ao garçom que não seria possível preparar o cocktail, que vergonha, o maitre por sua vez intercedeu na conversa com ares de professor.

  _ Tudo pode ser substituído, com o tempo você vai aprender.

  E falando isso preparou na minha frente um Dry Martini feito com tequila, gin e batido na coqueteleira com bastante gelo, acrescentou a azeitona e mandou o garçom servir. Fiquei imóvel quando o cliente provou  o drink, assim que colocou a taça na mesa o garçom perguntou se estava do agrado, educadamente o cliente fez aquele terrível gesto negativo com a cabeça. O garçom voltou ao bar e disse ao maitre que o cliente não havia gostado.

  _Ó, ele não gostou disso aqui não...

  Indignado o maitre foi até a mesa, e o cliente de saco cheio de ser interrompido tantas vezes e novamente questionado sobre a qualidade do drink respondeu.

  _ Não tem nada a ver, em momento algum isso aqui chegou perto de um Dry Martini, o que é eu não sei, mas o que não é está claro, e não é um Dry Martini...

  Ele voltou pro bar, ajeitou a gravata, respirou fundo e disse.

  _ Com o tempo você vai aprender que nem tudo pode ser substituído...

  Sábias palavras.

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