Durante a troca de turno presenciei o último pedido feito ao barman da manhã antes que eu assumisse o balcão do bar da piscina. O pedido era simples, mas o excesso de criatividade do profissional tornou tudo muito mais interessante:
_ Uma caipiroska de abacaxi com adoçante por favor.
_ Temos várias vodkas saborizadas, baunilha, citrica, pera...
_ A comum mesmo, com adoçante.
Prontamente ele preparou o mise en place com o abacaxi já porcionado, vodka Absolut e alguns sachês de adoçante, até aí tudo certo. Eu estava verificando o chopp quando ele começou a me perguntar:
_ Qual Absolut fica melhor com abacaxi?
_ A neutra mesmo. Como o cliente pediu. - respondi.
_ Ah, acho que a de pêssego fica melhor... - disse ele já dosando no copo.
_ Mas acho que falta álcool... - e completou com a vodka neutra.
Permaneci em silêncio, afinal o turno ainda era dele, e a coisa ficou pior:
_ Não vejo graça em adoçante, fica sem gosto.
_ O cliente pode ser diabético. - respondi.
_ Naaada! - disse ele colocando colheres de açúcar no copo.
Antes de entregar o pedido ainda teve tempo de decorar com uma fatia de carambola com uma cereja presa por um palito. Observei de longe ele entregando o copo na mão do cliente e ficou do lado até o coitado provar. O barman voltou feliz com a resposta positiva, mas não percebeu que assim que virou as costas o cliente olhou para o copo e olhou novamente para ele e colocou o copo na mesa, onde ficou intocável.
Alguns minutos depois da troca de turnos, refiz o drink da maneira que foi solicitado e troquei com o que já estava na mesa (ainda intocável, imbebível) sem precisar falar nada e acreditem, o cliente fez questão de pagar pelos dois.
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